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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Opiniões Sobre a Crise


Crise, crise, crise!Entrevista com liderança cristã brasileiraPublicado em 30.01.2009
O assunto está presente em todos os veículos de comunicação e já faz parte até das conversas que temos ao redor da mesa enquanto almoçamos. Mas, o que vêm pela frente para a igreja brasileira? Oportunidades? Redução de dízimos? Crises de fé? Depressão? Aumento de conversões?

John Piper, pastor americano, declarou recentemente no seu site Desiring God que “...às vezes o dia mais negro vêm a ser o melhor dia. Isto porque quase nenhum de nós aprende a maior parte das coisas e as coisas mais profundas sobre Deus em tempos risonhos, mas apenas nos momentos piores”. E, de forma enfática, afirmou que “não é óbvio que uma crise econômica seja má para as nossas almas, talvez seja má para as nossas carteiras, má para os nossos estômagos, e má para os nossos egos, mas não necessariamente má para as nossas almas”.

E quanto aos líderes brasileiros? O que pensam sobre os impactos na igreja brasileira? Confira nesta entrevista múltipla as opiniões que coletamos com 7 líderes de expressão e faça deste conteúdo um recurso de planejamento para ser usado nas reuniões de sua equipe ministerial. Afinal, todo planejamento bem feito considera as oportunidades e as ameaças que o ambiente externo oferece.

As respostas estão listadas em ordem alfabética por entrevistado.

De que forma a crise econômica mundial afeta a igreja brasileira?

Ariovaldo Ramos – pastor da Igreja Batista Água Branca: A igreja será afetada na medida em que o país o for. E já estamos sendo afetados.
Haverá queda de arrecadação e, principalmente, os projetos missionários e sociais sofrerão, uma vez que a visão da igreja brasileira ainda é rarefeita em relação a estes quesitos.
Os neo-pentecostais deverão retomar as suas campanhas a partir de uma fé mágica, capaz de "torcer o braço" de Deus, forçando-o a não sonegar a benção. Por causa da mensagem de cunho individualista que grassa em todos os segmentos da igreja brasileira, teremos crise de fé, diante da ausência da benção financeira.
Por causa de uma teodicéia (relação entre Deus e o sofrimento) pouco elaborada, haverá dificuldades de pastoreio frente à crise.
Depois da queda, a história passa por fases de "vacas gordas e magras"... deveríamos estar mais preparados para tal processo.
Como a estrutura econômica do país demonstra solidez e o governo demonstra controle, é possível que a crise não nos afete como doutras feitas.
Espero que aprendamos que o cerne do evangelho é produzir discípulos cuja missão é parecer cada vez mais com o Senhor.

De que forma a crise econômica mundial afeta a igreja brasileira?

Daniel Nunes Romero – pastor e diretor executivo da LIDERE Brasil: Creio que a atual crise econômica mundial não afeta diretamente a igreja brasileira, embora a afete diretamente ao afetar a economia de nosso país. Do meu ponto de vista como empresário, vejo que essa crise terá um impacto natural nos próximos 6 meses em todos os setores direta ou indiretamente envolvidos com a economia dos Estados Unidos, como bancos, empresas do ramo de eletrônica, montadoras de automóveis, entre outras; mas ela irá se dissipar aos poucos ao longo deste período.
É possível que algumas igrejas observem um índice de redução nas ofertas e dízimos que normalmente recebem no período, sobretudo nas igrejas onde o maior número de membros concentra-se entre as faixas A e B da população, pois estima-se que entre esses membros existam profissionais ligados aos segmentos mais afetados pela crise mundial. Não creio, contudo, que esse impacto atingirá níveis consideráveis.
Entretanto, no meio cristão em geral, vejo que a crise atingiu e já provocou mudanças nos ministérios americanos de arrecadação de fundos, que trabalham sobretudo com missões e auxílio humanitário, e consequentemente nos ministérios brasileiros a eles coligados.
Por fim, creio que devemos nos lembrar após todas as considerações naturais sobre a crise que enfrentamos, que Deus está ACIMA de toda e qualquer crise, e nada pode fugir ao controle de suas mãos. Juntamente com todas as ações humanas de prevenção e cuidado que devemos ter em períodos assim, o mais importante é saber que Cristo reina, acima de toda crise que possa sobre nós se abater.

De que forma a crise econômica mundial afeta a igreja brasileira?

Douglas Mônaco – secretário geral da Missão Portas Abertas no Brasil: A crise é uma ótima oportunidade para a Igreja. Independente da teoria econômica da crise, seu principal efeito é redução de atividade: menos negócios, menos movimentação financeira, menos oportunidades de se levantar renda.
Como a igreja é afetada por isso? De cara, nalgum nível, a renda das pessoas que compõem a igreja enfrenta restrições e o natural é que isso atinja a arrecadação das comunidades e das missões.
Mas isso não pode ser tudo. Claro que num momento assim, é vital ‘esperar no Senhor’, crer que o Senhor há de nos sustentar. Mas, o mais decisivo talvez não seja isso.
A Igreja existe para servir, existe para refletir a glória de Deus. Com ou sem crise, com ou sem queda na atividade econômica. Logo, nossa principal reação neste momento de incertezas tem de ser defender a capacidade da Igreja ser Igreja.
Temos de nos unir, temos de eliminar ociosidades em nossos orçamentos pessoais e eclesiásticos, temos de cortar gastos com bobagens e temos de ser transparentes.
A Igreja não existe para acumular e nem mesmo para se deleitar. A Igreja existe para representar o Senhor e a crise é uma perfeita oportunidade para fazer isso. Esperemos no Senhor e nos mobilizemos a favor dos objetivos dele. Fazendo isso, a crise afetará a Igreja da melhor maneira possível: expandindo o Reino de Deus.

De que forma a crise econômica mundial afeta a igreja brasileira?

Josué Campanhã – pastor e diretor da SEPAL: A crise do mundo atualmente não é econômica. É uma crise de ganância. Investidores começaram a ganhar dinheiro, e mesmo sabendo que os lucros eram artificiais não quiseram perder a sua parte real e continuaram a ganhar. Criaram a possibilidade do cidadão nos EUA também ganhar através da artificialidade. Com isto todos alimentaram sua ganância. A ganância de alguns que ganharam será paga agora por todos ao redor do mundo.
A crise de ganância é como uma infecção e a crise econômica é a febre. Não adianta dar remédio para a febre sem atacar a infecção. A crise de ganância foi gerada pela crise de fé. É possível ter fé em muitas coisas, mas a fé verdadeira é depositada em Deus. A falta de fé em Deus faz com que as pessoas procurem alternativas para sua insegurança ou sua ganância.
A crise econômica gera reações: desespero e ansiedade. Em lugar de depositar a fé em Deus para atravessar a crise, as pessoas procuram soluções em sua própria capacidade.
Se a igreja brasileira perder a oportunidade de viver pela fé neste momento, estará perdendo a grande chance de mostrar ao mundo o que significa crer em Deus.

De que forma a crise econômica mundial afeta a igreja brasileira?

Peder Refstie – Comissário do Exército da Salvação no Brasil: Até o momento o efeito da crise econômica mundial tem sido relativamente pequeno para o Exército de Salvação no Brasil. Realizamos muito de nosso trabalho nas camadas mais pobres da população - entre pessoas que vivem uma constante crise econômica! Nossa percepção é de que o número de pessoas desempregadas realmente está aumentando. Até o momento, temos notado uma pequena redução em donativos para apoiar nosso trabalho. Tememos que se a crise se aprofundar venhamos a perder mais apoio financeiro para os projetos sociais, o que pode afetar negativamente nosso atendimento. Parte do sustento de nossa obra social vem das atividades de nosso brechó, chamado carinhosamente de "Salvashopping". A procura por bens a preço acessível se mantém em alta, mas o mercado para vender metais e outros itens para reciclagem desapareceu. Por outro lado temos sido beneficiados com o aumento do câmbio do dólar americano. Projetos que são patrocinados por amigos de fora do Brasil conseguem ampliar suas metas, o que significa mais pessoas atendidas.

De que forma a crise econômica mundial afeta a igreja brasileira?

Rodolfo Montosa – pastor e diretor do Instituto Jetro: Emprestaram o dinheiro que não tinham para comprar o que não precisavam. Assim gosto de resumir a origem da tão falada crise financeira mundial. O coração da crise foi a excessiva oferta de dinheiro, aparelhada por instrumentos financeiros sofisticados e ininteligíveis aos melhores analistas, que, no fim da linha, gerou o maior calote da história do dinheiro, ainda não dimensionado em todas as suas repercussões.
Muitos são os efeitos desta crise sobre a população brasileira em geral, por conseguinte para a parte desta população que freqüenta as igrejas. A começar pelo desemprego, passando pelo aumento do custo dos empréstimos, as famílias sofrerão muito. Já está acontecendo também um movimento de retorno dos que migraram nos últimos anos para trabalhar em outros países.
Dependendo da intensidade com que tais efeitos tem afetado diretamente os membros da igreja local, haverá aumento do nível de estresse, ansiedade, medo, dissensões e litígios familiares.
Mais do que nunca precisamos estar firmes na palavra, deixando de confiar no que é passageiro e lançando todo o nosso coração em Cristo. É necessário também ao povo aprender a lidar com o dinheiro. A Bíblia ensina muito sobre isso. Aos líderes cabe apontar esta direção. Que haja paz no meio do povo de Deus!

De que forma a crise econômica mundial afeta a igreja brasileira?

Solano Portela - diretor de planejamento e finanças do Mackenzie: O Brasil pode sofrer uma crise sistêmica – aquela que afeta não apenas um setor, mas todo o complexo econômico empresarial do país. Já sentimos alguns sinais dela, entre esses: a diminuição do consumo; a desvalorização do Real e o aumento dos produtos e insumos importados; o cancelamento de contratos de serviços. A conseqüência é sempre, primariamente, o desemprego. Seguem-se inadimplências, cancelamentos de matrículas, e várias outras dificuldades pessoais e familiares.
A igreja será afetada negativamente, na vida dos seus membros, de várias maneiras. Primeiro, com uma diminuição na contribuição dizimal ou de ofertas. Segundo, com uma necessidade de realinhamento de suas prioridades (ex.: construção, reforma; ou manutenção dos obreiros). Terceiro, em sua capacidade de sustentar missionários no exterior – esses sentem de imediato a perda cambial. Quarto, no decréscimo da abundante literatura que vem produzindo nos últimos anos, tanto porque o setor editorial deverá enfrentar carências e dificuldades, como porque os leitores diminuirão.
Positivamente, as crises trazem uma reflexão espiritual e uma aproximação dos sofredores aos caminhos de Deus. A igreja pode ser impactada com um envolvimento menos eufórico, mas mais saudável, bem como em amplas oportunidades de viver o cristianismo autêntico na prática da solidariedade entre irmãos.
Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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